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Onde está Cristo no Natal dos nossos dias?
Procuro-o na esperança de reencontrá-lo, cada vez mais ausente
na Festa da Natividade. Busco-o, sofregamente, nos corações dos homens, nas
manifestações de fraternidade universal, no cenário afetivo das famílias bem
constituídas. Encontro-o e apaziguo o meu coração.
Querem-no muitos, porém, nas visíveis e comerciais demonstrações de
preponderância do estranho mundo de hoje. E, em nome dessa mensagem distante dos
seus ensinamentos revertem suas lições de solidariedade e de caridade cristãs
numa banca de negócios, desvirtuando o sentido do Natal.
Diante dos meus olhos contaminados pelos bombardeios midiáticos, por mais que o
evite, só enxergo: consumismo, endividamento, desarmonia, violência, descontrole
e falta do verdadeiro amor. Percebo, contristada, diante da lamentável realidade
dos tempos atuais, que o menino Jesus não mais se encontra na manjedoura humilde
de Belém.
Alijaram-no do modesto e santificado espaço onde nasceu para iluminar o mundo e
pretendem conduzi-lo, principalmente, para os centros de negócios e de consumo,
onde reinam o gosto pelas coisas materiais e predomina a ambição do lucro. Onde
quem comanda é o vil metal que corrompe os homens.
Retiraram-lhe a exígua veste que encobria seu corpinho recém-nascido, para
tentar adorná-lo com as suntuosidades e as pompas fabricadas pelos indutores do
consumo, pelo apetite desenfreado dos gananciosos, dos vendedores de ilusões
passageiras, dos corruptores de todas as feições.
Substituíram a luz da estrela guia, que orientou os passos dos Reis Magos até a
Sagrada Família, pelas artificiosas, artificiais e feéricas luminosidades,
nutridoras dos desvarios dos fabricantes e consumidores de quinquilharias.
Dessacralizaram o Natal de Jesus Cristo. Esqueceram-se da Natividade, da
mensagem maior da grande da sua peregrinação pelo mundo. Desconhecem ou
olvidaram suas palavras: “Eu vim para que tenham vida, e tenham-na em
abundância” (João, 10: 10). Baniram da maior festa da Cristandade as lições de
humanidade e compaixão, os sentimentos de piedade e comunhão com o divino.
Durante anos e anos “fabricaram” guerras assassinas, desfalcaram inúmeros lares
de vidas preciosas, sob o disfarce criminoso da luta contra o terrorismo,
rotulando-a de defesa da Democracia. Promoveram discórdias, espalharam medo,
derrubaram torres, sacrificaram e aprisionaram inocentes, movidos,
principalmente, pela disputa do poder e do domínio econômico.
Desconsideram a profundidade dessas palavras: “Amai vossos inimigos, abençoai os
que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos perseguem e
caluniam“ (Mateus, 5:44).
Desconhecem ou se esqueceram do que está escrito em João, 14:27: “Deixo-vos a
paz, a Minha Paz vos dou: não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso
coração, nem se atemorize“.
Que é feito da Paz? Da pregação de Jesus Cristo e dos Apóstolos, seus
seguidores, das lições que repassaram, para todo mundo? Que é feita, hoje, da
missão Salvadora para a qual Jesus assumiu a condição humana?
Por que jamais se praticaram tantos crimes e tanta violência? Por que
substituíram o presépio pela árvore de Natal, o primeiro símbolo de um instante
significativo para a história da humanidade, o segundo, uma bela e, cada vez
mais, sofisticada sedução comercial para enfeitar, com bolas e cores, o Natal de
todo o mundo?
Trocaram o ódio pelo amor, a generosidade pelo egoísmo? O Bem pelo Mal? Não, não
é isso que desejamos. Muito ao contrário. Esperamos que a festa do nascimento do
Senhor reencontre a pureza e a simplicidade dos tempos que se foram.
Reajamos todos, os que têm e vivem na Fé, a toda essa “onda” consumista e
desespiritualizada. Vivamos alegremente, pois, “O coração alegre é bom remédio”
(Provérbios, 17: 22).
Natal é nascimento e crença na vida. É amor e compreensão. Tolerância e
caridade. Que renasçam, pois, em nossos corações as mensagens de concórdia e
que, neste mundo dominado pelo imediatismo e pela ambição, pela discórdia e pela
malquerença, ainda possa germinar, nos abençoados pela Fé, a excelsa luz da
Esperança.
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