
A construção do Brasil
Edivaldo Boaventura
A Bahia é sumamente
grata
e mais ainda
reconhecida pelo muito
que o professor
Jorge Couto tem realizado pelo Brasil. Professor e intérprete de História
do Brasil, na Universidade de Lisboa, tanto a sua dissertação
de mestrado como
a tese
de doutorado versam
sobre
o Colégio dos
jesuítas
do Recife. Publicações em congressos e
em revistas
internacionais incidem em temas e problemas brasileiros.
Empossa-se, hoje,
como
sócio correspondente
do Instituto
Geográfico
e Histórico da. Bahia Couto trabalhou como
assistente do professor
Joaquim Veríssimo Serrão, sócio
honorário do
Instituto,
notável historiador
português,
mestre de
gerações,
que o orientou no
mestrado
e o convidou para
colaborar no ensino
da História do Brasil.
Um dos temas que Couto tem pesquisado é a obra
dos jesuítas.Sobressaem, no Brasil
colonial, as estratégias de implantação da Companhia
de Jesus, os conflitos entre os inacianos e a coroa
por causa dos índios, as relações com a escravatura, as estratégias
e os métodos de missionação no Brasil, a
fundação das
missões
jesuítas no
Maranhão e no Grão-Pará e a participação do padre Antônio Vieira. As
abordagens
acerca dos inacianos são importantes
na história européia moderna.
No
que tange a Vieira,
imperador
da língua portuguesa ( Fernando Pessoa), o professor Couto coordenou
a
bibliografia
de 1998-2008. Entre os seus trabalhos,
“Vieira e o domínio neerlandês da cidade
do Salvador” deve ser
uma leitura
dos sermões
referentes à
tentativa dos flamengos em
apossar-se da Bahia, principalmente o sermão de Santo
Antônio de 1658.
Com referência ainda aos jesuítas,
a tomada de posse
do professor Couto coincide com
o momento em
que nos
preparamos para assinalar
a segunda
vinda dos inacianos à Bahia. Vejamos. Os
jesuítas estiveram na Bahia
de 1549 a 1758, quando
montaram um
coerente
sistema de ensino,
chegando até
a ensinar Filosofia
e Teologia.
Sistema
de ensino que
foi desmantelado pela expulsão da ordem
pelo marquês
de Pombal. Em
1834, os jesuítas sofreram uma segunda extinção
quando foram
novamente
expulsos de Portugal..Mais uma vez, a
terceira,
com a República Portuguesa proclamada
em
1910, as
ordens
religiosas, incluindo a Companhia de
Jesus, foram extintas e os jesuítas expulsos do território
português.Pois bem, foram esses padres desterrados que,
em 1911,
fundaram o Colégio Antônio Vieira,
em 1911, em
Salvador. Voltaram, assim, os inacianos à Bahia, de
onde
estiveram ausentes
por
mais de século
e meio.
Um destaque especial merece o livro
de Couto “ A
construção
do Brasil: amerídios, portugueses e africanos, do início
do povoamento a finais de quinhentos.” Realmente, como
mostra
o autor,
tudo
concorreu para
criarmos uma cultura portadora de uma profunda originalidade,
tipificando um
país
mestiço e tropical.
Há de se destacar a
vinda
do professor Couto
por mais
de mais
de 30 vezes ao Brasil,
inclusive
para pesquisas de Belém do
Pará até
Santo Ângelo, em
busca de
documentos
e bibliografia. Tem
presença
marcante em
congressos e
simpósios
luso-brasileiros,
reuniões
internacionais
e colóquios
como o de historiografia
luso-brasileira
revisitada, promoção do Instituto de Estudos
Avançados
da Universidade de
São
Paulo.
Recentemente,
o
professor Couto
coordenou o Colóquio Internacional dos 200 anos
da chegada
da família
real ao Brasil, no
centro
Cultural da Fundação Calouste Gubenkian,
em
Paris. Deste colóquio
saiu a publicação “
Rio
de Janeiro,
capital
do império português
( 1808-1821)”,com participação de Sylvia
Athayde e minha,
a ser lançada hoje, no Museu
de Arte da Bahia, juntamente
com
uma outra
obra importante
da Fundação
Gubenkian: “
Patrimônio
de origem portuguesa no mundo: arquitetura
e urbanismo- América do Sul.“
Além de mestre
do ensino
da História
do Brasil, o professor Couto
participa de obras coletivas, enciclopédias e representações
junto
aos Ministérios da
Cultura
e das Relações
Exteriores. Presidiu o Instituto
Camões..Atualmente,dirige a Biblioteca
Nacional de Portugal. Distinções e condecorações
recebidas atestam os méritos do professor e de servidor
da cultura.
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