Edivaldo Boaventura, Presidente Exemplar

Consuelo Pondé de Sena 

 

Há determinados cargos que exigem raras qualidades pessoais dos ocupantes. É o caso da Academia de Letras da Bahia que reúne quarenta Acadêmicos, a bem dizer, uma elite intelectual, sob a presidência de um deles, escolhido por seus pares.

Edivaldo Machado Boaventura concluiu, dia 24 de março de 2011, o seu mandato de dois biênios à frente da Casa de Arlindo Fragoso, deixando atrás de si a marca indelével da sua personalidade e as virtudes do seu temperamento.

Cumpriu, primorosamente, o seu dever e todo aquele que cumpre fielmente as tarefas que lhe são destinadas reafirma a grandeza do seu caráter. Por isso, permanecerá na memória da instituição como um dos seus mais dinâmicos, amáveis e compreensivos dirigentes.

Cavalheiro delicado, culto e competente, com larga experiência em comandar instituições respeitáveis, Edivaldo é uma referência de homem público na Bahia e no Brasil. Tendo ocupado em dois governos: Luiz Viana Filho e João Durval Carneiro a nobilitante função de Secretário de Educação do Estado da Bahia, houve-se em ambas ocasiões de maneira irrepreensível e competente.

Educador por excelência, é um homem de ação e de trabalho, cabendo-lhe como uma luva o pensamento de Smiles: “Na sociedade os homens de gênio estão em relação à inteligência, assim como os homens de caráter estão em relação à consciência; se admiram os primeiros, os segundos imitam-se”.

Deixou a presidência da Academia de Letras da Bahia por força de dispositivo legal, tendo completado dois biênios, nos quais se realizou dinâmica e excelente administração, graças ao seu prestígio pessoal, representação social e fácil comunicabilidade.

Trata a todos com lhaneza, espelhando sua conduta nas lições aprendidas com sua família e com seus mestres jesuítas, em cujo conceituado Colégio Antônio Vieira, hoje centenário, completou sua formação para ingressar na Faculdade de Direito da Ufba.

Apesar de ter-se diplomado nessa tradicional unidade de ensino, de ter exercido alguns cargos relacionados com o Direito, sua vocação de educador se sobrepôs às demais tendências, realizando-se como um dos mais qualificados Mestres da Bahia.

Sempre próximo dos alunos esmera-se em orientá-los, em avaliá-los, ciente de que, como escreveu Kant, “O objeto da educação é desenvolver no indivíduo toda a perfeição do que é suscetível”.

Tendo nascido em Feira de Santana, terra que não se esquece de mencionar em quase todos seus pronunciamentos, sempre exalta as belezas e as riquezas do seu município, sem esquecer a capacidade de trabalho e a inteligência dos conterrâneos.

Foi eleito para a ALB em 8 de julho de 1971, bem jovem ainda, tendo sido saudado por D. Edith Mendes da Gama e Abreu, feirense como o atual ocupante da cadeira número 39, cujo patrono é Francisco de Castro e o fundador Clementino Rocha Fraga Junior, baiano de Muritiba, médico e humanista, um dos criadores da instituição, falecido no Rio de Janeiro, para onde se transferiu, em 8 de janeiro de 1971.

Alma de educador, Edivaldo Boaventura é, antes de tudo, um professor que ama a sala e o convívio com seus alunos. Mestre de excepcional formação acadêmica é muito admirado por colegas e discentes.

Na sala de aula procede como um verdadeiro transmissor de informações. Anima debates, suscita questionamentos e, sobretudo, transmite conhecimentos, fomenta a pesquisa, orienta trabalhos, tudo realizando com competência e dedicação.

Após ter ocupado a Vice-Presidência da ALB, Edivaldo assumiu a presidência da agremiação, realizando, como anteriormente assinalado, profícua e dinâmica gestão, assinaladas na leitura do seu relatório e na brilhante oração de improviso, proferida pelo Acadêmico Joaci Góes, oração espontânea, nascida do sentimento de um sertanejo de talento, capaz de emocionar a assistência embevecida diante do seu verbo fluente, como só os tribunos de escol são capazes de produzir. Nas referências a Solange, Edivaldo e filhos, Joaci Góes tocou nas dobras mais íntimas do coração do ex-presidente, levando-o às lágrimas sorrateiras, que tentou em vão dissimular.

Homem moderado, capaz de escutar com sensibilidade os problemas alheios, sabe ser solidário, contornar situações, além de possuir o que se chama “jogo de cintura”. Vale aqui lembrado belo conceito de Bishop Hall sobre essa rara qualidade que Edivaldo possui: “A moderação é o fio de seda que corre pelo colar de pérolas de todas as virtudes”.

Ao que acrescento enfática: graças à convivência com Solange Fortes do Rego Boaventura, sua incomparável e bela mulher, agregou Edivaldo virtudes de excelência, assimiladas ao longo do relacionamento de amor, parceria e cumplicidade como uma das mais refinadas Damas da sociedade baiana.

 

 

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