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A LIDERANÇA DA EDUCAÇÃO EM FEIRA DE SANTANA

Edivaldo Boaventura

            Em linha direta, gerações de professores foram responsáveis pelo crescimento da educação em Feira de Santana. Certamente que muito favoreceu a proximidade de Salvador, que concentrava não somente quase toda a educação superior como também  o  ensino médio. Feira está para Salvador, urbana e educacionalmente,  como Campinas para a cidade de São Paulo.  Haja vista o número de professores que ensina na metrópole soteropolitana e na cidade princesa.

            Sucessivas iniciativas  conduziram à criação da Universidade. Destacam-se  a Escola Normal, o  Colégio Santanópolis,  Faculdade de Formação de Professores. Na  década de trinta, fixa-se  a liderança  do professor Áureo  de Oliveira Filho, na educação secundária,. O  pioneirismo do  Colégio Santanópolis educou  a juventude de Feira  e atraiu jovens da região e  de toda a Bahia.Se o ensino superior demorou a se interiorizar, começando a partir dos anos sessenta,  por sua vez,  a então educação secundária, ginásios e colégios,  progrediu muito lentamente. O Santanópolis de Feira, o Colégio Taylor Egídio de Jaguaquara, o Ginásio Municipal de Ilhéus  e o Clemente Caldas de Nazaré das Farinhas, foram, pontualmente,os estabelecimentos pioneiros  do ensino secundário no  interior da Bahia.

            O ensino médio público se concentrou em Salvador. De 1836, quando se criou o Liceu Provincial,  até 1947, com o surgimento dos ginásios de bairro, cantávamos apenas com um único  colégio  público  secundário,  o Colégio Central, além das escolas normais.

            Antes do Santanópolis, o governo Góes Calmon instituiu a Escola Normal, em 1925, em Feira. Contribuição importante para a formação de professores primários , era prefeito Arnold  Silva. A dissertação Mestras do Sertão,  de Antônio Roberto Seixas Cruz  ( Uefs) demonstra o desempenho profissional  das primeiras normalistas.

            Todavia, bem antes da Escola Normal e do Santanópolis, tivemos as escolas públicas de primeiras letras e do fundamental, no final do século XIX e início do XX., demonstração  da política educacional da República positivista.A imponência dos prédios escolares, como  o Grupo Escolar J.J. Seabra, onde hoje funciona o Centro Universitário de Cultura e Arte ( Cuca), atesta a importância  que foi dada á educação primária da classe média, pela administração municipal,  do mesmo modo os edifícios das escolas Maria Quitéria  e João Florêncio Gomes.

            O Colégio Santanópolis elevou o nível intelectual da cidade e quebrou a monotonia  urbana  com a presença agitada e irrequieta dos ginasianos. Para tanto, Áureo Filho congregou  médicos e advogados, a elite profissional Com a última reforma Capanema passou de ginásio a colégio. Inovou no ensino e estimulou a cultura de diversos modos.

            Poucos fizeram tanto pela educação de Feira  como o professor Áureo Filho, estendendo  a sua luta  pelo ensino onde estivesse, em nossa Feira, em Salvador, na Assembléia Legislativa da Bahia, na presidência do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino e, principalmente, na criação da Universidade Estadual..

             Uma  outra geração de professores se manifesta  com a  criação da Faculdade de Formação de Professores, a partir de 1968, com cursos de Letras, Estudos Sociais e Ciências. Destaca-se a bióloga  Marinita de Oliveira Menezes, filha do professor Áureo,   coordenadora do  primeiro Curso de Ciências fora da capital. Formada em História Natural, especializou-se em Zoologia Animal Comparada, instalou moderno e completo Laboratório de Ciências,  adquirido em uma fundação ( Fundbec) de equipamentos  para o ensino científico apoiada peal  UNESCO. Dentre os alunos formados na primeira turma, sobressaiu–se   José Raimundo de Azevedo,orador da turma, ex-prefeito de Feira e  atual secretário de Educação.

            A etapa seguinte foi o da Universidade, quando surgem novas lideranças, como a do  professor Gil Mário de Oliveira Menezes, neto do professor Áureo, duplamente graduado em Educação Física e em Artes  Plásticas. Na linha direta, é a terceira geração da família  consagrada  à  educação e à cultura de Feira, cada vez mais enriquecida com as suas obras de arte: monumentos ao Caminhoneiro e a Georgina Erismann.

 

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