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Dr. Antônio Jesuíno Neto, humanitário e bom

Consuelo Pondé de Sena   

Causou comoção em todo o Estado da Bahia o inesperado falecimento do médico e professor, Antônio Jesuíno Neto, homem de ação e de trabalho, que, como poucos profissionais da área da saúde, dignificou a profissão, à qual serviu com devotamento.

Sobre ele muito se escreverá, tenho certeza, tal era o prestígio de que desfrutava em vários círculos profissionais e sociais da Bahia.
Morreu como desejava, em plena sala de aula, em meio aos que escutavam sua última e inacabada preleção.

À sua despedida, no Jardim da Saudade, na tarde de sexta-feira, dia dois de setembro, acorreram os familiares, amigos, clientes e admiradores do médico humanitário e bom. Dr. Jesuíno era uma personalidade cativante. Um cidadão honrado, ético e digno, que fez da sua vida um modelo de solidariedade e correção, como poucos nestes tempos adversos.

Antônio Jesuíno dos Santos Neto desapareceu no mesmo mês em que veio ao mundo, no dia 18 de setembro de 1920. Diplomou-se médico no dia 13 de dezembro de 1944. Realizou, ao longo da extensa carreira, inúmeros cursos de especialização, confirmando com a realização desses aprendizados o interesse que mantinha pela profissão que escolhera desde criança. Viveu intensamente a sua escolha, tendo participado de centenas de eventos profissionais, nos âmbitos: estadual, nacional e internacional. A par dessa presença nesses eventos, atuou no Instituto Nacional de Previdência Social, nas Chefias de Aperfeiçoamento das Equipes de Saúde, além de examinador do concurso de seleção de cirurgiões.

Teve intensa atividade na Santa Casa de Misericórdia da Bahia, no Hospital Santa Izabel e na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. No Hospital Santa Izabel desempenhou-se como cirurgião, mas também foi Chefe do Departamento de Cirurgia e Diretor Interino. Na mesma escola foi Assistente de Propedêutica Cirúrgica, Professor Titular de Clínica Cirúrgica e Coordenador do Internato Médico.

Não se recusava a colaborar em outros setores universitários, a exemplo da Universidade Católica do Salvador, onde na qual foi professor de Socorros de Urgência, do Curso de Especialização em Didática do Ensino Superior, e de Engenharia e Segurança do Trabalho.

Não consigo entender como Dr. Jesuíno se multiplicava por mil e um afazeres e sempre mantinha o ânimo para incursionar em outras esferas. Bom humor e simpatia eram as marcas da sua personalidade.

Sempre me intrigou a extraordinária vitalidade daquele cavalheiro de 90 anos, sempre presente aos eventos das associações a que pertencia.
No IGHB, de onde era sócio há muitos anos, não só comparecia frequentemente, como fazia questão de contribuir pecuniariamente. De igual modo conciliava a participação ativa nas diversas academias a que pertencia, sem demonstrar cansaço ou desânimo.
Foi sempre muito ativo em relação ao Conselho Regional de Medicina, dele recebendo o título de “Alto Mérito-Grande Honra ao Médico”, em reconhecimento por essa eficiente participação.

Era membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, do American College of Surgeons e da Academia de Medicina da Bahia.
Pertencia à Academia Bahiana de Educação e ao Instituto Geográfico da Bahia, sempre a postos na vida diária e nas solenidades dessas instituições.

Amigo presente e dedicado, sabia ser estimado por todos que o conheciam. Era simples e correto a toda prova e seu rosto sereno transmitia a grandeza do seu caráter.

Posso dizer, sem receio de estar cometendo equívoco, que foi um homem feliz e realizado. Formou uma família harmoniosa e equilibrada. Casou-se com uma notável educadora baiana, professora Leda Jesuíno dos Santos, de quem tinha, como parceiro e cúmplice, compreensível orgulho.

Como todo ser humano, morador deste planeta de expiação, teve algumas amarguras. Sofreu muito, mas soube superar os desencantos da existência. Homem de fé sabia que seu espírito não se extinguiria com a falência das forças vitais.

Em outra dimensão, tinha certeza, sua alma de escol encontraria a felicidade eterna, a morada da imortalidade. Felizes os que têm fé, essa chama divina que jamais se apaga, sejam quais forem os percalços da existência.

Por tudo em que acreditava, pela bondade que semeou indistintamente durante a vida, tenho certeza que um bom lugar lhe foi sendo preparado pelo Deus que nos criou e que, do alto de sua munificiência, saberia recompensá-lo, como bem o merecia.

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